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As Quatro Perguntas da Humanidade


Dom Orlando Brandes

1.    A pergunta sobre a morte. O tempo é breve, tudo passa, a morte é certa. A certeza da morte nos faz refletir, perguntar mudar. Obriga a pensar. Alguém disse a filosofia é produto da morte. Para o homem moderno a morte é tabu. Para o homem sem fé, a morte é absurdo. Para quem crê a morte é porta, entrada, inicio. A interrogação sobre a morte ajuda-nos a mudar o que está errado, a fortalecer o bem, a justiça, o amor, a ter consciência da nossa fragilidade. Ela é a “escola do essencial”. Os santos dizem: “o dia da minha morte será o dia da maior festa da minha vida”.

Para os cristãos a morte foi vencida pela ressurreição de Jesus, é inicio da vida plena, é condição para a visão de Deus face a face. É o “dia natalício” para a eternidade da alegria, na luz, na paz, na comunhão dos santos. Jesus “matou a morte”. Nossa vida não é tirada, mas transformada. Para Francisco de Assis, a morte é nossa irmã porque nos leva a estar com Cristo.

2.    A pergunta sobre a liberdade. Importa sermos livres do mal para a prática do bem. O direito à liberdade nos faz lutar pela democracia, pela libertação, pela inclusão contra todas as escravidões e exclusões. Liberdade sem responsabilidade é anarquia. Liberdade sem a verdade é libertinagem. Justiça sem liberdade é ditadura.

Ser livre não é fazer o que eu quero, mas, o que eu devo. Liberdade é dom e tarefa. Cristo nos libertou para sermos livres, para vivermos em comunhão e participação, em relação com os outros através do diálogo. Pela liberdade somos interlocutores com Deus, com os outros e com a história.

3.    A pergunta sobre a unidade. Temos o desejo, o sonho, a expectativa da união, da fraternidade, do ser família, da convivência, do respeito mutuo. A divisão, a discórdia, a agressão, a briga, a violência são sempre destrutivas. Da unidade vem a paz, o bem querer, o sucesso, a alegria. O outro não é uma ameaça, um inimigo, um estranho, mas, um peregrino da verdade, um igual a nós em dignidade, um amigo, um irmão. A solidariedade, a interdependência, a corresponsabilidade, a confraternização, o altruísmo, o voluntariado são expressões da unidade.

Hoje, a unidade tem o nome de globalização, ecumenismo, reconciliação, diálogo, interação. A unidade vence a solidão, o vazio, a distância, as exclusões, e promove a comunicação, a aproximação, pois o mundo é um jardim com flores diferentes. A união dos opostos, o encontro dos diferentes é a beleza da unidade.

4.    A pergunta sobre o sentido. Sem dar significado e sentido à vida, caímos na ilusão, no engano, no vazio, na neurose, na depressão. Sentido quer dizer, razão para viver, valores a defender, rumo e bússola a seguir. A pergunta pelo sentido da vida nos leva a Deus. A busca da verdade, do bem, da liberdade, da justiça e da beleza é sinal de saúde psíquica, de esperança, de expectativa. A ordem, o tempo, a historia se constroem a partir do sentido e do significado que damos aos valores. A fé abre as portas de novos horizontes, ideais, sonhos. Tudo tem sentido, nada é inútil, existimos para ser mais, crescer e chegar à plenitude.

Dom Orlando Brandes
Arcebispo Metropolitano de Londrina

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Edição 47