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Cardeal Angelo Amato fala sobre a Igreja e as religiões não cristãs



Cardeal Angelo Amato, prefeito da 
Congregação para as Causas dos Santos

    Rio de Janeiro, ArqRio/Redação - Na quarta palestra  do segundo dia do Curso Anual dos Bispos do Brasil, 28 de janeiro, realizado no Centro de Formação do Sumaré, no Rio Comprido, o prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, Cardeal Angelo Amato, abordou o tema “Nostra Aetate: um olhar sobre a declaração”, analisando os 15 anos de publicação do documento.



1. Reações à Dominus Iesus
    Publicada em plena celebração do Grande Jubileu do Ano Dois Mil (6 de Agosto de 2000), a Declaração Dominus Iesus, da Congregação para a Doutrina da Fé,2 subscrita pelo então Prefeito, Cardeal Joseph Ratzinger e assinada também pelo então Secretário do Dicastério, arcebispo Tracisio Bertone, suscitou desde o seu aparecimento, um debate extremamente aceso. Foram muitas as adesões, mas não faltaram – e foram vivazes e imediatas – as reações e as críticas sobre a linguagem demasiado assertiva, sobre o conteúdo pouco dialogante, sobre a inoportunidade da sua publicação.

    Tais reações mostram um tríplice paradoxo. Antes de mais, essas provinham do ambiente teológico e “missionário” católico, cujo comportamento, pelo contrário, deveria ter sido, além de adesão ao magistério, sobretudo de reflexão sobre os motivos que tinham levado a Congregação a uma tal precisão doutrinal.
O segundo paradoxo deriva do fato de que o documento não propunha uma nova doutrina, mas recolhia e organizava algumas indicações do magistério do Vaticano II e da Redemptoris Missio, acerca da unicidade e da universalidade salvífica de Jesus Cristo e da Igreja.

O que é que continha a Dominus Iesus?
    Em concreto, respondendo às difusas teorias de tipo relativista da teologia das religiões, que entendiam justificar o pluralismo religioso não só de fato, mas também de iure, a Declaração reafirmava a plenitude e a definibilidade da revelação de Jesus Cristo, contra as teorias da complementaridade de revelações não cristãs.

    Repetia, em segundo lugar, a unidade e a unicidade da economia salvífica querida por Deus Trindade, em cuja fonte e em cujo centro, está o mistério da encarnação, rejeitando a hipótese de uma economia do Espírito Santo, com um raio de ação mais amplo e uma eficácia mais universal do que aquela do Verbo encarnado.

    Reafirmava, pois, a unicidade e a universidade do mistério salvífico de Jesus Cristo: «Em nenhum outro existe salvação; não há de fato um outro nome dado aos homens sob o céu no qual devemos ser salvos» (At 4,12).

    Em quarto lugar, repetia a unicidade da Igreja em Cristo, que subsiste na Igreja Católica, governada pelo Sucessor de Pedro e pelos Bispos em comunhão com ele. A tal respeito precisava-se que aquelas Igrejas não em perfeita comunhão com a Igreja Católica, permaneciam, todavia ainda, unidas a esta por meio de estreitíssimos vínculos, tais como a sucessão apostólica e a válida Eucaristia e portanto eram “verdadeiras Igrejas particulares”.

    Enquanto aquelas “comunidades eclesiais”, que não tinham conservado o episcopado válido e a genuína e íntegra substância do mistério eucarístico, “não são Igrejas no sentido próprio”. A Declaração, por fim, reafirmava a necessidade da Igreja em ordem à salvação, no momento em que esta é sacramento universal de salvação.

    O terceiro paradoxo consistia no fato de que o documento não entendia bloquear ou fechar a reflexão sobre a teologia das religiões, mas antes sugeria ulteriores pistas de procura e de reflexão. Por exemplo, convidava os teólogos «a explorar se e como também figuras e elementos positivos de outras religiões reentram no plano divino de salvação» (n.14). A propósito, pois, da vontade salvífica universal de Deus, a Declaração reconhecia que a teologia estava procurando aprofundar o tema das relações dos não cristãos com a graça salvífica de Cristo e com a Igreja.

2. Uma avaliação
    Que dizer, hoje, a propósito da Dominus Iesus? A quinze anos de distância, podem-se avançar algumas considerações. A primeira é que a Declaração fez luz sobre algumas fundamentais verdades cristológicas e eclesiológicas, subtraindo-as do “porto do nevoeiro”, ou seja, à negação, à confusão e ao equívoco dos teólogos do pluralismo religioso.

    Esta, para, além disso, não só não bloqueou ou condicionou negativamente os diálogos ecumênicos e inter-religiosos, mas relançou-os a partir de uma precisa e reafirmada identidade católica. O melhor passaporte para entrar num território alheio é um leal bilhete de identidade, sem omissões e sem falsificações. Deste modo os nossos interlocutores são informados sobre pilares irrenunciáveis da fé cristã.

    Uma terceira consideração diz respeito à pista de procura relativa à salvação dos não cristãos. A teologia pluralística que nega o dado bíblico de Cristo salvador universal, propondo pelo contrário, uma pluralidade de salvadores equivalentes, não corresponde ao plano divino trinitário. É só no mistério de Cristo que Deus Trindade predestinou, chamou e justificou todo o gênero humano.

3. Uma legítima preocupação: a salvação dos não cristãos
    Mas existe uma preocupação, que retenho legítima, proveniente dos teólogos pluralistas e que – como já acenado – a Declaração considera digna de estudo ulterior. É a questão da salvação dos não cristãos, isto é, da sorte daquelas pessoas não batizadas, mas honestas, compassivas, de consciência reta. Qual é o seu destino? Estão fora ou dentro do influxo salvífico de Cristo? Enfim, como se compõe a universalidade indiscutível do sacrifício redentor de Cristo com a multidão dos não cristãos, não poucos dos quais, dão exemplo de vida humana e religiosa exemplares?

    Na exortação pós-sinodal Ecclesia in Asia (1999), João Paulo II tinha oferecido a orientação geral para esta pergunta, afirmando: «Desde o primeiro instante até ao último, Jesus é o só Mediador universal. Também para quantos não professam explicitamente a fé nele qual Salvador, a salvação chega através dele como graça, mediante a comunhão do Espírito Santo»3.

     A questão, de resto, fora afrontada também pelo Vaticano II. O Decreto Ad Gentes, por exemplo, depois de ter posto em ressalva a obrigação da Igreja de proclamar o mistério salvífico de Cristo, porque só nele existe a salvação para todos (cf. At. 4,12), declarava que «Deus, viis sibi notis, homines, Evangelium sine eorum culpa ignorantes, ad fidem adducere possit, sine qua impossibile est Ipsi placere».4 É uma afirmação surpreendente sobre vias secretas de Deus, que permite que chegue à verdadeira fé também quem ignora, não por sua culpa, o Evangelho.

    Tal asserção encontra a sua explicitação na Gaudium et Spes que, depois de ter salientado, que também no coração dos homens de boa vontade trabalha invisivelmente a graça, continua: «Cristo, de fato, morreu por todos e a vocação última do homem é efetivamente uma só, a divina, por isso, devemos reter que o Espírito Santo dê a todos a possibilidade de virem a contatar, no modo que Deus conhece (“modo Deo cognito”), com o mistério pascal.

Segredo salvífico
    Temos, portanto, duas indicações sobre um certo segredo salvífico de Deus. Os textos conciliares falam de uma ação divina, invisível mas real e eficaz, afim de que também os não cristãos possam alcançar a fé e vir a contatar com o mistério pascal: por vias secretas (“viis sibi notis”) e no modo que só Deus conhece (“modo Deo cognito”).

    O estudo aprofundado das Ata Synodalia, à procura das motivações destas afirmações, individualizou pelo menos cinco vias mediantes as quais Deus oferece a todos a possibilidade de aceder a Cristo e à Igreja. A primeira é a ordenação à Igreja, sacramento universal de salvação: «a esta, em vários modos pertencem, ou então a esta são ordenados seja os fiéis católicos, seja os outros crentes em Cristo, seja, enfim, todos os homens que a graça de Deus chama à salvação» («sive denique omnes universaliter homines, gratia Dei ad salutem vocati»)7. A graça redentora de Cristo está de fato presente e eficaz em toda a humanidade, mediante o seu sacrifício eucarístico oferecido por todos.

    A obediência à reta consciência, que é a voz de Deus inscrita no coração humano, é uma segunda possibilidade de salvação oferecida a todos os seres humanos: O homem tem uma real lei escrita por Deus no seu coração: obedecer a esta é a própria dignidade do homem, e segundo esta ele será julgado.

    Uma terceira via secreta de salvação é fazer o bem e evitar o mal: «No íntimo da consciência o homem descobre uma lei que ele não deu a si mesmo, mas à qual, antes, deve obedecer e a cuja voz, que o chama sempre a amar e a fazer o bem e a fugir ao mal, quando ocorre, claramente diz aos ouvidos do coração: faz isto, foge daquilo.

    As Ata Synodalia e os textos conciliares, fazem emergir depois outras duas vias secretas de salvação, que são: adesão à verdade, do momento em que a verdade se impõem a si mesma, vencendo com gentileza e respeito toda resistência contrária; e a coerência entre fé e vida, pela qual, por exemplo, o cristão pode perder-se, se não preserva na verdade e na caridade, enquanto que, vice-versa, o não cristão pode salvar-se, se preserva na verdade e na caridade.

    Estas indicações conciliares permitem supera a falsa imagem de um cristianismo autoritário e arrogante e de uma Igreja fechada perante aqueles traços de verdade e de bondade presentes fora desta. O mistério redentor de Cristo tem valência universal e de um modo misterioso, mas real, alcança as mentes e os corações não só dos batizados, mas de todos os seres humanos. Se os meios de salvação são oferecidos com abundância na Igreja, também fora desta não faltam vias através das quais Deus atrai as almas à graça e à fé.

4. A necessidade da missio ad gentes
    Isto significa o cessar da obra missionaria e do convite ao batismo e à conversão, como os autores pluralistas afirmam? O diálogo inter-religioso substitui a missio ad gentes? A Igreja deve renunciar à proclamação do Evangelho e ao convite à conversão e ao batismo?

    Dando seguimento à Dominus Iesus, a Congregação para a Doutrina da Fé, publicou em 2007 uma Nota doutrinal sobre alguns aspetos da evangelização, na qual de novo motiva a urgência, antes, a necessidade hoje, da missio ad gentes, que não obstante dois mil anos de cristianismo, é ainda nos inícios.

    Em conclusão, a Dominus Iesus, continua, hoje mais que nunca, um válido apelo de clareza doutrinal e pastoral, como base da catequese, da nova evangelização e da missio ad gentes. É necessária, no entanto, uma reeducação teológica para o acolhimento do magistério como locus theologicus não secundário do fazer teologia. A recepção do magistério, sobretudo pontifício, é um tema de autêntica formação sacerdotal. «Sentire cum Ecclesia, amare Ecclesiam, criteria habere quae Ecclesia habet» é a herança dos Padres da Igreja e dos grandes teólogos de todos os tempos e sobretudo é o modo de agir dos Santos.

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Edição 47