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Encíclica "Laudato Si" é apresentada pela Arquidiocese do Rio de Janeiro


    ArqRio/Priscila Xavier -  A Arquidiocese do Rio de Janeiro apresentou a Encíclica "Laudato Si", do Papa Francisco, sobre o cuidado da casa comum, durante coletiva de imprensa que contou com a presença de representantes do clero e especialistas em meio ambiente, no Edifício João Paulo II, na Glória, no dia 18 de junho, às 11h. A divulgação aconteceu na mesma data em que o documento foi lançado na Sala Nova do Sínodo, no Vaticano.

    O documento pontifício recebe o título da frase inicial do “Cântico das Criaturas”, escrito por São Francisco de Assis: "Laudato Si'" (que significa “Louvado Seja”), escrito em 1225 num dialeto italiano antigo e não em latim, como de costume. Essa é a primeira encíclica escrita totalmente pelo Papa Francisco e também a primeira na história da Igreja a abordar questões ambientais.

Preocupação com o futuro 
   Ao longo de 192 páginas, o Papa Francisco deixa como ponto central da encíclica a pergunta: “Que tipo de mundo queremos deixar a quem vai suceder-nos, às crianças que estão a crescer?”. Dentro de seis capítulos, o pontífice apresenta sete exemplos de deterioração: a poluição, a questão da água, a perda da biodiversidade, a degradação da qualidade de vida e a degeneração social, a desigualdade planetária, as reações insuficientes quanto à questão ecológica e a diversidade de opiniões.

    De acordo com o coordenador arquidiocesano de pastoral, monsenhor Joel Portella Amado, ao olhar o documento como um todo é possível identificar sete angústias do Papa.

    “Quando se faz um olhar transversal, o que se tem são as angústias do Papa. Consequentemente reconheci essas preocupações ao longo de todo o documento, no qual o pontífice destaca a questão dos pobres em toda a encíclica; a cultura do descarte que produz e descarta lixo e pessoas, além de uma palavra que talvez nos passe despercebido que é a indiferença diante do problema, no qual ele utiliza a expressão: “indiferença perante os crescentes desafios e diversas degradações”. Ele se preocupa também com a desproporção do tamanho do problema ao que se tem feito. O Papa tem uma sensação de que os problemas de natureza ecológica estão sendo mais mascarados do que enfrentados e chama atenção para as formas imediatistas de se entender a economia e a atividade comercial produtiva. Ele ainda vai lembrar que os custos dos danos provocados pela negligência é muito maior que dos benefícios que se possa ter”, disse.

Esperança
    O reitor da Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio), padre Josafá Carlos de Siqueira, acredita que há uma esperança na mudança de pensamento dos países de grande potência mundial.

    “A encíclica vem num contexto mundial extremamente importante, no qual dois segmentos estão presentes: frustração por conta dos processos de degradação ambiental e por conta da nossa falta de bom senso nas grandes convenções internacionais, que abordam mais os aspectos socioambientais, mas também estamos num contexto de esperança de que assim como na Associação de Estocolmo, em 1972, também encontremos bom senso na Conferência do Clima em Paris”, contou.

    O vigário episcopal para a Caridade Social, cônego Manuel Manangão, apresentou práticas positivas da Igreja e afirmou a preocupação católica diante da problemática ecológica.

    “Nasce uma quantidade muito grande de cooperativas no Rio e em todo o país que surgem com o apoio da Igreja no sentido de se fazer presente como um contraponto dessa realidade ecológica mal acompanhada nos lixões de nossa cidade. A Igreja sempre esteve preocupada com a questão do meio ambiente. Temos uma cultura de desperdício; achamos que a natureza sempre vai se recompor. Começamos um processo de conscientização e educação do nosso povo a partir das comunidades de fé”, afirmou.

Fraternidade
    Além dele, o cardeal arcebispo do Rio, Dom Orani João Tempesta, destacou as Campanhas da Fraternidade realizadas pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) como fontes de conscientização.

    “A CNBB há vários anos tem chamado a atenção para esse tema, bem como os Papas anteriores. Completamos neste ano os 50 anos do fechamento do Concílio Vaticano II, que aborda a identidade da Igreja, mas também as dores e angústias humanas que não passam despercebidas pelo catolicismo”, concluiu.

    Segundo o jornalista especializado em gestão ambiental e professor da PUC-Rio, André Trigueiro, a encíclica apresenta diversos segmentos científicos que levam o leitor à reflexão do Livro do Gênesis, que trata sobre a Criação.

    “A encíclica vai ao encontro das demandas mais urgentes e pontuais da humanidade em diferentes aspectos teológicos, filosóficos, éticos, científicos, econômicos e políticos, com uma forte questão social. Ela nos convida a uma ação urgente em favor do mundo, no qual o homem e a mulher não estão desconectados dele, mas são dependentes de um planeta saudável. O Papa entra em segmentos que vão em direção à leitura das Sagradas Escrituras, no qual o homem tem um mandato divino por ser imagem e semelhança do Pai. Portanto, um dever para fazer uso dos recursos da Terra da forma que julgar conveniente. Há uma linha teológica que entende que podemos fazer o que bem quisermos com o planeta, posto que somos a espécie líder. Papa Francisco ainda reconfigura essa leitura e afirma que somos responsáveis pela Criação e que estamos inseridos numa comunidade de seres viventes”, finalizou.

Foto: Carlos Moioli

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Edição 47