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ENTREVISTA

 Padre Dênis Oldack Paixão e Silva, da TV Século XXI

Participo de uma associação diferente

O padre Dênis Oldack Paixão e Silva, da Congregação dos Oblatos de São José e que atua na Arquidiocese de Campinas, visitou no dia 18 de julho o Grupo Amanda Rossi (AMAR), da Catedral de Londrina, a convite do presidente Luiz Carlos Rossi. Ele é integrante da equipe de evangelização do padre Eduardo Dougherty, fundador da Associação do Senhor Jesus que é proprietária da TV Século XXI e da revista Brasil Cristão.

Quando foi a sua ordenação e como descobriu que tinha vocação ao sacerdócio?
Padre DÊNIS - Fui ordenado sacerdote em São Paulo no dia 19 de dezembro de 1993. A vocação foi despertada na adolescência. Quando eu tinha aproximadamente 13 anos comecei a me questionar se não seria o caso de me tornar sacerdote. Mas depois esse pensamento desvaneceu-se. Mas quando cheguei aos 15 anos, de repente, olhando pra dentro de mim eu percebi fortemente o chamado de Deus para essa vocação. Um desejo forte e vigoroso de entregar a minha vida para a glória de Deus e a salvação das almas.

O sr. pertence a qual congregação e como desempenha suas atividades?
Padre DÊNIS - Pertenço à Congregação dos Oblatos de São José e atualmente estou trabalhando numa entidade chamada Associação do Senhor Jesus que atua na Arquidiocese de Campinas, na cidade de Valinhos. Sou sacerdote segundo o coração de Jesus, dentro da Igreja, conforme o ensinamento do magistério da Igreja. Esta é a minha opção. Me tornei sacerdote, como já falei, para a glória de Deus e a salvação das almas na plena obediência à Igreja e ao seu magistério, ao Papa e aos bispos em união com Ele.

Como o sr. faz parte, ao mesmo tempo, da Associação do Senhor Jesus e da TV Século XXI?
Padre DÊNIS - A Associação do Senhor Jesus (ASJ) e a TV Século XXI são duas faces da mesma moeda. Embora exista uma distinção jurídica entre as duas realidades, elas estão unidas, pelo fundador e pela missão que realiza através dos meios de comunicação, principalmente a televisão. A ASJ precede a TV. Produzia programas de cunho evangelizador, mas não possuía uma televisão para veicula-los, então servia-se de outras emissoras de TV para isso. Há 10 anos atrás, felizmente, como um dom de Deus, surgiu também a oportunidade de ter também a televisão e graças a Deus é hoje o principal instrumento que utilizamos para evangelizar. Utilizamos também a internet, a revista Brasil Cristão e está para sair também a rádio Século XXI . A TV Século XXI é educativa e de evangelização.

A Associação do Senhor Jesus é uma comunidade igual à Canção Nova?
Padre DÊNIS - Não é. Do ponto de vista jurídico são realidades diferentes. A ASJ é uma entidade sui generis por causa de seus objetivos e modo como trabalha, mas aqueles que estão ali são funcionários. E existe uma equipe de evangelização. O padre Eduardo, eu, o padre André que pertence à Arquidiocese de Santo Amaro e está liberado para trabalhar na ASJ, três religiosas que ali residem e o frei Rinaldo que é um sacerdote da Ordem dos Servos de Maria. Nós estamos mais ligados por vivermos ali, nas dependências da ASJ. Menos o frei Rinaldo que mora na cidade. Formamos uma equipe de trabalho mas não é propriamente uma comunidade no estilo da Canção Nova.

A RCC já pode ser considerada um alicerce da Igreja no Brasil e no mundo?
Padre DÊNIS - A ASJ foi fundada pelo padre Eduardo Dougherty, que é um dos pioneiros da RCC no Brasil. Mas quer seja a ASJ ou a TV Século XXI, elas estão totalmente abertas a todas as expressões de igreja que existem. Não são entidades que estão a serviço da RCC somente mas estão a serviço da Igreja como um todo. Quanto à pergunta referente à RCC, é um sopro do Espírito dentro da Igreja, seja aqui no Brasil e exterior. Não é o único sopro do Espírito, existem vários ou várias modalidades de viver o Espírito Santo e de ser Igreja que são suscitadas pelo mesmo Espírito Santo.

O sr. se identifica como um sacerdote carismático?
Padre DÊNIS - Depende do que se quer dizer com a palavra carismático. Eu sendo sacerdote, sou igual a todo cristão e sacerdote, procuro ficar aberto ao influxo do Espírito Santo. Mas sou antes de tudo católico e depois estou a serviço da Igreja com todas as suas instruções de viver o Evangelho, de serviço e apostolado e também da RCC, etc.

Como a fé carismática distingue os dons do espírito humano dos dons do Espírito Santo?
Padre DÊNIS - Olha, fé é uma só que pode se manifestar de várias maneiras, seguramente. Os dons do Espírito Santo são graças, são presentes que o Espírito de Deus concede ao homem. E que sendo concedidos aos homens penetram nas faculdades humanas e não atrapalham essas faculdades ou realidade humana da pessoa, mas purifica, fortalece, santifica e aperfeiçoa a realidade humana de cada cristão.

O dom de cura está ao alcance de todos?
Padre DÊNIS - Sim, está ao alcance de todos. Qualquer cristão pode rezar pela cura de outra pessoa e isso porque quem vai curar depois é Deus. A pessoa, qualquer um, pode rezar pela cura de seu irmão e deve faze-lo, é uma obra de misericórdia, uma obra de caridade cristã. Mas é claro que o resultado da oração vai depender também, de maneira absoluta, do desígnio de amor que Deus tem para com aquela pessoa. Mas toda oração que é feita com humildade, confiança e perseverança tem sua resposta de um jeito ou de outro. De repente alguém pode rezar pela cura de uma pessoa que está com uma doença física e ver um outro tipo de cura, uma cura espiritual, uma cura psicológica, por exemplo. O modo como Deus responde é segundo a Sua infinita sabedoria.

A cura pela imposição das mãos é semelhante à cura pela bioenergia muito divulgada atualmente?
Padre DÊNIS - Então, como dizia na questão proposta sobre os dons do Espírito Santo e os dons do espírito humano, o Espírito Santo penetra no ser humano e potencializa as suas capacidades. Em última análise, tudo é dom de Deus, mesmo aquelas faculdades propriamente humanas, são dons de Deus porque é Deus quem cria o ser humano. Então o Espírito Santo no homem vai aperfeiçoar, purificar e fortalecer as capacidades do homem para que realize a obra de Deus.

Finalizando, a TV Século XXI será uma TV aberta como a Rede Vida?
Padre DÊNIS - O ideal perseguido é que o maior número de pessoas possam sintonizar e assistir a TV Século XXI e graças a Deus muita gente já consegue. Agora, é uma caminhada que se está fazendo. A TV Século XXI é muito jovem, ela tem apenas 10 anos no ar. Para quem começou numa garagem de uma paróquia, em Campinas, acredito que cresceu muito e crescerá mais ainda. É uma caminhada que tem também as suas dificuldades. Uma delas é a dificuldade econômica. Não é fácil manter, levar ao ar uma TV funcionando 24 horas por dia. A TV Século XXI está fazendo a sua caminhada e eu acredito que vamos chegar lá, nesse ponto em que todos possam assisti-la com facilidade e conforto.





 Padre PEDRO OPEKA, da ilha de Madagascar (África)  

Decidi morar no lixão

“Uma esperança engajada. Uma fé que transforma. Uma caridade audaciosa. Um padre vicentino que há 36 anos transforma sua convivência junto ao pobre de Madagascar numa certeza: a partir dos pobres a pobreza pode ser vencida. Não são dez respostas do padre Pedro Opeka, mas 10 dicas de alguém que pelo exemplo, não só fala do lugar do pobre, mas ao coração do pobre e do mundo.” Pe. Adriano Sousa Santos, CM

1 - Qual o maior desafio para vencer a pobreza?
OPEKA - Acreditar que ela pode ser vencida. Lançar-se no mundo dos pobres, mas acreditando que toda situação injusta pode mudar. Outro passo importante são os gestos concretos no meio dos pobres e com eles agir como seres humanos, como cristãos e vicentinos.

2 - A mudança social precisa da mudança de mentalidade?
OPEKA - Sim. A pobreza gera no povo pobre uma mentalidade que o faz viver de forma fatalista. É urgente que essa mudança aconteça mesmo sabendo que isso leva bastante tempo. Ela exige paciência.

3 - Qual a consciência pessoal dos pobres quando se sentem decretados a morrer na miséria?
OPEKA - Eles pensam que a pobreza é um destino e a exclusão social ocorre por não terem capacidade de sair da pobreza. Nós vicentinos temos que levar a esperança ao dizer que a pobreza pode ser vencida por eles. É dever nosso descobrir e despertar em sua alma, talentos e potencialidades que Deus ofereceu a cada um deles.

4 - Ao comentar sobre a sua experiência junto aos pobres do lixão em Madagascar o senhor falou da auto-estima destruída. O que realmente pode provocar isso e como foi possível mudar essa situação?
OPEKA - A auto-estima do pobre acaba quando ele perde a sua força espiritual. Um povo na miséria ou enfermo fica sem força interior. Sem essa força não há auto-estima. É o espírito que anima a pessoa. Só é possível reverter essa situação através da presença solidária e permanente junto ao pobre. É mais que urgente despertar o seu poder de transformação.

5 - Quais os fatores que podem levar a uma transformação que seja de fato estrutural e não apenas emergencial?
OPEKA - A transformação estrutural passa por várias etapas: ajuda humanitária e mudança de sistemas injustos. O mais importante é se concentrar nas formas possíveis de erradicação da pobreza. Qualquer mudança estrutural necessita tempo.

6 - Os países desenvolvidos concentram, controlam e gerenciam a riqueza no mundo. A pobreza que se procura vencer é criada por esses países. Ao se falar em mudança sistêmica isso também não deveria afetar a consciência dos países ricos? Como fazer isso?
OPEKA – A pobreza mundial tem suas raízes em mecanismos de ordem econômica, política e social. É difícil para os países ricos assumirem essa culpa. Entretanto, podemos começar por outro extremo indo ao encontro do pobre e despertá-lo para a solidariedade com os outros pobres. A organização dos pobres é a sua arma política para pressionar os ricos a mudarem suas estruturas.

7 - Qualquer transformação por mais localizada que seja tem o poder de mudar o mundo?
OPEKA - Sim. Mesmo sendo localizada, a mudança tem o poder de atravessar fronteiras e mudar o mundo. Toda obra de justiça rapidamente repercute porque muita gente necessita de obras concretas que resultem numa mudança sistêmica. Eu nunca pensei que vivendo no lixão para vencer com o pobre a sua pobreza pudesse alcançar outras regiões do mundo. Já fui recebido pelo papa, pelo presidente da França, príncipe de Mônaco, etc. Ao longo dos meus 36 anos de sacerdócio aconteceram coisas impensáveis.

8 - Como conseguiu captar sonhos e outras urgências para além da fome e miséria daquele povo?
OPEKA - Todo ser humano acalenta sonhos. Como vicentinos podemos convencer os pobres que o seu sonho pode virar realidade. Aos pobres temos que dizer: nunca deixe de sonhar, nunca deixe de crer, nunca deixe de esperar porque o sonho é possível. É urgente ajudar o pobre a ter confiança nele e acreditar no seu talento sem medo e sem prejuízos. A sociedade é muito dura com o pobre. Não é fácil levantá-lo de sua dor. Com a nossa ajuda, porém, eles realizam seu sonho de mudança.

9 - O senhor tem consciência que o seu trabalho junto ao povo do lixão provocou uma mudança sistêmica?
OPEKA - Eu tive essa consciência alguns anos mais tarde. Não se trata de aplicar uma determinada fórmula quando se quer mudar uma realidade, mas em viver e sentir o contexto particular do pobre. Ele sente a sua realidade. Com ele compartilhamos fracassos, dores e provações. A mudança sistêmica é uma ajuda e não o fim. É uma ferramenta que ajuda a analisar a situação injusta sofrida pelo pobre. Tal mudança deve ser adaptada a contextos específicos e a cultura de cada povo. A finalidade vai ser sempre resgatar a dignidade e a liberdade do pobre.

10 - O documentário produzido pela televisão austríaca e apresentado durante o XI Encontro Nacional da Família Vicentina acerca de seu trabalho junto aos pobres do lixão foi bastante interpelativo. As novas mídias podem ajudar na mudança sistêmica? Sensibilizar é um critério para transformar?
OPEKA – Sim. Temos que saber utilizar os meios de comunicação social. Eles têm muita força para sensibilizar e despertar a consciência de ricos e pobres. Vivemos no mundo da imagem. A imagem deve suscitar sinais de esperança e levar as pessoas a se comprometerem com um mundo justo e fraterno. Uma boa imagem fala por si mesma e estimula a imitação daquele gesto em favor dos mais pobres.

(Fonte: revista Convincente, ano XV, nº 65, 2º trimestre de 2009, editada pelo Conselho Metropolitano de Brasília da Sociedade de São Vicente de Paulo – SSVP. Visite: www.ssvpcmb.org.br)

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